Dicas de Estudo

Como selecionar argumentos para a redação

By on setembro 25, 2016

Senhoritas e senhoritos. Agora que vocês já tem os argumentos, vejamos o que é que vocês farão com eles. (In)felizmente, não tem lugar para todo mundo, então, como diz uma regra básica da escrita de ficção, kill your darlings (em português não-literal: desapaixone-se do seu texto.)  

     Eu sei. Eu sei… é aquela citação, aquela informaçãozinha que ninguém mais deve saber, aquela frase que my God (em português: meu Deus) será que fui eu mesma que escrevie tudo isso cai como uma luva… para outra redação. Nada de chororô, benzinhos. De NADA adianta argumento se for mais te atrapalhar do que te ajudar (lembrente: fugir do tema é passível do desconto de muitos pontos e, dependendo do grau, de zero.) Na verdade, não dá para comparar argumentos de redações diferentes, então escolha o melhor argumento para a sua redação. 

Que tipo de argumentos fazem uma boa redação? Veja como selecioná-los.
Não é você. Sou eu. Mas é principalmente você. (smosh.com

Então, antes de incluir um certo argumento na sua redação, pergunte-se: 

  1. Faz sentido? 

Dã. Mas é claro. Se não eu teria escolhido outro, né? Parece óbvio, sim, mas só parece. O(a) corretor(a) não lê seus pensamentos, não sabe sua história de vida nem no que você acredita. Certifique-se de que, antes de mais nada, os argumentos tenham pé, cabeça e mais um pouquinho (nada de achismos), e de que o que você escreveu seja exatamente o que você quis dizer.  

De que tipo de argumentos é feita uma boa redação? Veja como selecioná-los.
Com todo respeito, isso não faz muito sentido… (giphy.com)

 

2. Foge ao tema?

Benzinhos. TODO CUIDADO É POUCO com esse pequenino grandinho aspecto. Certifique-se de que o argumento (na verdade, a redação inteira), não só tem a ver, mas tá dentro do que exatamente o vestibular quer de você (por exemplo, no ENEM de 2013, não pediram para você escrever sobre a Lei Seca e sim sobre os efeitos dela, especificamente.)

De que tipo de argumentos é feita uma boa redação? Veja como selecioná-los.
(tenor.co)

3. Precisa mesmo? Se não, vale a pena?

Se vocês são como eu e detestam loose ends (em português não-literal: ideias inacabadas e/ou soltas),  confudem clareza com aprofundamento, os quais não necessariamente tão relacionados; e/ou querem usar 278 argumentos em 30 linhas. Contudo, entretanto, todavia, é melhor você ter 2 argumentos bem-desenvolvidos do que 5 superficiais (que nem seu(s) mozão(ões): qualidade acima de quantidade.) Vale mesmo a pena incluir aquela informaçãozinha a mais? Dá para resumi-la amarrando tudinho no final?

De que tipo de argumentos é feita uma boa redação? Veja como selecioná-los.
Sem arrependimentos. (tenor.co)

 

4. É adequado para o gênero no qual você está escrevendo?

Os gêneros textuais podem ser parecidos (exemplos: reportagens e notícias) mas também podem ser totalmente diferentes na estrutura, no vocabulário, na maneira como o tema é abordado. Imagine só: dados estatísticos numa crônica, poesia num relatório e um relato em primeira pessoa numa dissertação-argumentativa. Use seu instinto de leitor e dê uma pesquisada básica no que faz cada gênero único (sugestão de resuminho.)

De que tipo de argumentos é feita uma boa redação? Veja como selecioná-los.
Encontre o elemento estranho. (lockerdome.com)

5. É complexo demais?

De nada adianta você levar linhas e mais linhas explicando um argumento em vez de sustentando-o, ou usá-lo só para que seu texto pareça (só pareça mesmo) um daqueles textos levemente complicadinhos que citam três filósofos ao mesmo tempo e cujo(a) autor(a) aparentemente tomou sopa de letrinhas demais. Provavelmente você vai acabar confundindo em vez de impressionando o(a) corretor(a). O mesmo vale para o vocabulário: particularidade vale tanto quanto, senão mais, do que idiossincrasia.

De que tipo de argumentos é feita uma boa redação? Veja como selecioná-los.
Informação demais! (imgflip.com)

6. Você consegue dar conta dele?

Gente, não há vergonha nenhuma em você não ter repertório ou escreva bem o suficiente para desenvolver um certo argumento. Acontece e você não é obrigada a ser a reencarnação de Clarice Lispector. Só use um argumento se você souber que consegue desenvolvê-lo, sustenta-lo e conclui-lo. Por exemplo, fazer uma retrospectiva histórica só é uma boa quando você sabe exatamente do que tá falando.

its-handled-scandal
Resolvido. (giphy.com)

 

7. Ele dá um up no seu texto?

Não é que você não possa usar argumentos convencionais (o que são argumentos convencionais? Bom, o que todo mundo com certeza vai falar sobre aquele tema), mas por que não bolar uma proposta de intervenção que envolva toda a sociedade ou cada uma das pessoas em vez de tipicamente deixar tudo para cima do governo? Eu sei que, dependendo do tema, não é tão fácil ver a situação por outro ângulo; por isso, vale a pena pesquisar não só um pouquinho mais bem como diferentes pontos de vista sobre um mesmo tema (onde? Como? Dê uma lida no post passado.) Só cuidado para não se desviar demais da proposta de redação.

De que tipo de argumentos é feita uma boa redação? Veja como selecioná-los.
Jaqueta = seu argumento. Ser-humaninho fashion = sua redação. (thegloss.com)

8. Ele segue a linha de raciocínio do seu texto?

Se o seu segundo argumento não tiver ligação direta com o primeiro (exemplo: causa e consequência), certifique-se de que você concluiu o primeiro e só então comece a escrever sobre outra coisa. Além disso, mantenha seu ponto de vista. Isso não quer dizer que você não possa apresentar os 2 lados da moeda (contudo, entretanto, todavia se a proposta de redação pedir o seu posicionamento, no fim das contas, você tem de escolher um lado), e sim que você não pode mudar de lado do nada (exemplo: defender, no D2 (2º desenvolvimento), a regulamentação da publicidade infantil mas no D1, você tinha defendido que a responsabilidade é apenas da família.)

one-tree-hill-what-next-brooke
Preocupo-me com o que vem depois. (rebloggy.com)

9. É seu mesmo? 

Sem mais delongas, nada de Ctrl C + Ctrl V. Não é que você não possa concordar com um argumento de outra pessoa e usá-lo na sua redação a partir das suas reflexões (e suas palavras) sobre ele, mas nada de copiar o que um(a) articulista do HuffPost escreveu sem nem saber direito o que ele(a) quis dizer, ou um argumento de um textão que seu amigo postou no Facebook e você nem sabe se ele sabe do que está falando. Parafraseando o tio Ben de Homem Aranha: com grandes ou pequenas palavras, vêm grandes responsabilidades. 

thank-you-hes-mine-katy-perry-ellen
Obrigada, ele é meu. (tumblr.com)

Como funciona a sua seleção de argumentos? Você tem dificuldades com ela? Se esse post te deu uma ajudinha, curta e compartilhe 🙂 

*Imagem do StockSnap.io

Continue Reading