Sexta Literária

Uma ideia que existe na cabeça e não tem a menor pretensão de convencer

Fevereiro 9, 2018

Você é fraca. Te falta orgulho.

      Felizmente, dignidade você tem de sobra, então essa carta de amor ri-dícula sequer será endereçada, quem dirá enviada. “Cometa erros novos”, não foi isso que escrevi nas minhas resoluções de ano novo? Mas é que… *suspiro*chega uma hora que fugir de si mesma e tentar forçar o presente a virar passado dá preguicinha. Pode até parecer fraqueza, pois que seja fraqueza então, e daí? Não me sinto mais na obrigação de confirmar ou desmentir nadica de nada para o resto do mundo… isso é, exceto por você.

Não me pergunte porquê, sempre sinto que te devo alguma explicação, ou um pouco mais do que isso; talvez não seja calúnia se alguém sugerir que essa cartinha é mais do que uma extravasada. Se você me perguntasse: “você ainda me ama?”, responderia com um meio sorriso: “nunca parei.” Já fui tantas vezes uma bomba-relógio desarmada um microssegundo antes de explodir; posso nunca ter te feito uma serenata ou mandado um áudio bêbado na madrugada, mas minhas indiretas… nunca foram muito indiretas, né? Se você sabe muito bem, ou não faz a mínima ideia, ou se está negando as aparências e disfarçando as evidências, aí já não sei. Só sei que, um dia desses, esqueci dos nãos anteriores, quase chutei o pau da barraca e disse: não precisamos fugir, mas que tal vivermos a vida como a gente quiser? Sem o destino ou alguém para dizer quem podemos ser.

       Não que esse seja o caso — e não que eu tenha chegado a uma conclusão se o destino nos shippa ou não, talvez ainda seja cedo para dizer. Enfim, a gente pode até não escolher por quem temos sentimentos mas escolhemos sim como reagimos a eles. “A porta está fechada,” você disse e eu também; se está trancada? Se você jogou a chave fora ou se ela está escondida dentro de uma meia embolada? É ingenuidade dizer que a “porta estará sempre aberta” perante aos plot twists e desencontros; eu posso te esquecer, meu bem, se é que, lá no fundo, isso já não tenha acontecido, e você pode muito bem ter me esquecido ou não se lembrar a tempo. Mas, não se preocupe, por enquanto, se a porta estiver mesmo fechada, estou te esperando na janela. Quem sabe, um dia desses ou daqueles, você se encontra e percebe que o que falta em você sou eu?

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